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O mercado de Seguros na era da Transformação Digital
25/09/2018

É consenso que as mudanças tecnológicas dos últimos anos tem transformado a vida das pessoas, tanto do ponto de vista dos relacionamentos pessoais de quanto a forma e a dinâmica dos negócios.

Fazer parte do processo de Transformação Digital significa “continuar no jogo”, não necessariamente ganhar o jogo. Para alguns é indispensável, para outros assustador e até pode soar apocalíptico.

A transformação digital já atingiu e irá atingir de forma disruptiva muitos setores e mercados rapidamente. Isso impactará no sucesso ou no risco de desaparecimento do negócio.

O desafio é muito maior do que o de proporcionar uma ferramenta ou um dispositivo digital. Também não se trata apenas em saber se comunicar com seu público e o mercado. As empresas e instituições em geral estão passando a ressignificar processos internos tornando-os digitais, modificando a forma como se organizam e operam, vendo-se obrigadas a agregar tecnologia às suas marcas, produtos e serviços.

As organizações precisam de um direcionamento e uma estratégia tecnológica, combinada com uma estratégia comercial adequada o quanto antes. Essa transformação deverá ocorrer visto que a organização corre o risco de ser ultrapassada pela concorrência ao ponto até de o negócio perder a razão de existir, como citado anteriormente. Para entender isso, é só pensarmos nos exemplo Blockbuster-Netflix, que chega a ser emblemático.

Essa "revolução digital” que vem acontecendo no mundo dos negócios já está em curso e efetivamente engloba a criação de novas experiências para oferecer aos clientes, assim como novos produtos e serviços e a reinvenção de modelos de negócio e de processos.

E o mercado de seguros não esta fora desse contexto.

Transformação digital no setor de seguro.

Quando analisamos os investimentos em tecnologia no Brasil observamos que o setor bancário se destaca nesse quesito. Aproximadamente 14% dos investimentos do país em tecnologia são realizados pelo setor bancário.

No mercado de seguros essa porcentagem é mais tímida, porém não menos promissora. Isso não é difícil de compreender: os bancos já estão no processo de transformação digital há mais de 20 anos.

Apesar da “demora", as empresas do ramo de seguros estão avançando nesse sentido rapidamente, repensando tarefas como a de simplificar processos, prever riscos e transformar a experiência do cliente.

Embora o próprio termo Insurtech (mistura de Seguros e Tecnologia em inglês) seja pouco conhecido aqui no Brasil, até mesmo para muitos que atuam nos setores de finanças e de seguros, o número de insurtechs vem crescendo. Os números não são definitivos e variam a cada dia, sendo precipitado dizer quantas já foram criadas e têm gerado um movimento interessante no setor.

O setor já conta com algumas iniciativas como publicações, estudos, sites, consultorias especializadas e eventos que tratam exclusivamente do desafio de agregar tecnologia a esse mercado.

As chamadas Insurtechs pretendem inserir o poder das novas tecnologias em um mercado um tanto quanto conservador e agregar muitos benefícios para todo o ecossistema de negócios, principalmente para o cliente que, no caso do Brasil, ainda tem pouca familiaridade com o seguro.

Diversas iniciativas para o mercado segurador começaram a emergir. Dezenas de startups foram lançadas no mundo inteiro focadas em desenvolver e mudar toda a mentalidade de um mercado ao dar novas faces e facilidades.

O QUE É UMA INSURTECH?
Fruto da união da palavra insurance (seguro em inglês) com technology (tecnologia), as Insurtechs são formadas por empresas e iniciativas que utilizam novas tecnologias e inovações que estão em constante desenvolvimento, buscando incrementar a eficiência do modelo vigente da indústria de seguros.

As Insurtechs estão ganhando espaço no país nos últimos anos em rodadas de negócios e eventos e buscam melhorar a experiência dos usuários com seguros em relação a uma série de entraves existentes, como burocracia, serviços não customizados, inacessibilidade financeira e dificuldade para compreender os planos.

Por meio de uma visão e operacionalização tecnológica, as Insurtechs vieram com o objetivo de dar uma nova perspectiva para o mercado de seguros, para que a simplificação de processos, a acessibilidade financeira e a personalização sejam garantidas e todos possam desfrutar de um bom plano de saúde, um seguro de vida ou seguro de automóvel sob medida.

A aplicação da tecnologia pelas Insurtechs possibilita o mercado a lidar com uma longa lista de problemas que atualmente enfrenta o setor de seguros, um dos pilares da economia do país.

Permite também uma interação contínua entre a seguradora e o cliente para que as empresas possam oferecer novos produtos e incentivar os consumidores a reduzir seus riscos.

BENEFÍCIOS DAS INSURTECHS
Podemos elencar uma série de benefícios trazidos pela Insurtechs, tanto para o cliente final, para as seguradoras e até para os corretores de seguros. Esses benefícios são inúmeros e já estão fazendo a diferença no mercado de seguros:

• Redução da burocracia com atendimento simplificado;
• Novas formas de comunicação com os clientes, para facilitar o entendimento do que está sendo oferecido e de forma imediata;
• Personalização dos serviços de acordo com o perfil do segurado;
• Melhora da experiência dos consumidores na contratação de seguros;
• Atração de novos consumidores para o mercado;
• Estímulo do desenvolvimento de serviços cada vez mais inovadores;
• Abertura de espaço no mercado e incentivando a abertura de outras startups Insurtechs;
• Fortalecimento da imagem do setor de seguros como um todo perante o público;
• Facilitação da contratação de apólices;
• Maior comodidade de acesso aos serviços;
• Estreitamento do relacionamento com os clientes;
• Oferta de preços mais atrativos;
• Sistemas de detecção de fraudes;
• Ciber segurança;
• Armazenamento de dados;
• Verificação de perfil e análise através de Inteligência Artificial;
• Capilaridade na comercialização dos produtos;
• Ampliação do Sistema de pagamentos dentre outros.

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA AS SEGURADORAS
As inovações no setor de seguros estão proporcionando às seguradoras novas fontes de informação em tempo real. Os dispositivos telemáticos em automóveis e os aplicativos móveis podem fornecer informações sobre hábitos de condução e localização de carros (e preferência de trajetos), por exemplo.

No seguro residencial, os aparelhos domésticos “inteligentes” podem permitir que uma seguradora saiba se um incêndio está ocorrendo. Os rastreadores de atividades coletam uma variedade crescente de dados em tempo real sobre seus usuários, incluindo hábitos de sono, exercício e frequência cardíaca.

As seguradoras podem também criar novos aplicativos de estilo de vida para um compromisso personalizado com seus clientes, criando fidelidade à marca. Esta será uma estratégia chave para atrair e reter uma base de clientes.

Podem, ainda, avançar para modelos sofisticados de prevenção de riscos, influenciando o comportamento do cliente. Os rastreadores de atividades podem ser usados, por exemplo,  para encorajar os clientes a realizar exercícios físicos ao oferecer prêmios quando eles atingem certas metas.

Outra vantagem é que se pode automatizar grande parte das tarefas manuais repetitivas, elevando a eficiência, reduzindo a chance de erros e fraudes, proporcionando mais agilidade e melhor experiência para o cliente.

Já a combinação de AI (Inteligência Artificial) com a Internet das Coisas (IoT) possibilita usar dispositivos (sensores, atuadores, wearables...) Machine Learning, Big Data conseguindo uma avaliação de riscos mais precisa e executar ações preventivas, além de oferecer produtos/serviços personalizados em real time.

Enfim, as Insurtechs representam uma verdadeira revolução no mercado de seguros, trazendo inúmeras vantagens para os clientes finais, ao corretor e às seguradoras.

Dentre vários estudos destaca-se “O Impacto das Insurtechs no Mercado de Seguros’ - Natália Pinto Ferraro (FIAP) e Rodnei Caio Baptista (FIAP) -, que mostra que os programas de capital de risco e de incubação desempenham um papel importante, orientando estrategicamente os principais esforços de inovação.

Esse trabalho aponta que seguradoras estabelecidas podem desempenhar um papel ativo, claramente identificando áreas de necessidade e oportunidade, incentivando e trabalhando com startups para desenvolver soluções adequadas, como: o desenvolvimento de novos produtos e serviços, descobrir novas necessidades de cobertura e risco, redefinição de portfólio de produtos, adaptação à mudança das necessidades dos consumidores com novas ofertas, melhorando a interação, construindo relacionamentos confiáveis, utilizando novas abordagens para detecção de riscos e prevenção de perdas e possibilitando aos negócios capacidades operacionais sofisticadas.

Esta, sem dúvida, é uma grande oportunidade do mercado de seguros se reinventar e, assim, atender a demanda de uma sociedade que vive em plena transformação digital.

INSURTECHS NO BRASIL
A Susep (Superintendência de Seguros Privados) está atenta ao que as Insurtechs estão trazendo de inovação para o mercado. No início de abril, esse órgão supervisor e regulador do mercado de seguros brasileiro participou de um dos maiores eventos de inovação em seguros na América Latina, o Insurtech Brasil 2018, e deixou integrantes desse mercado animados com a abertura da autoridade reguladora, que tem se colocado aberta as transformações digitais e disposta a entender o que está acontecendo com as inovações que estão surgindo no setor de seguros.

Com isso, a SUSEP já estabeleceu um canal de comunicação com seguradoras bem estabelecidas no mercado para saber as demandas em relação aos meios digitais. Essa conversa resultou na alteração de uma resolução que permitiu criar seguradoras totalmente digitais, no fim de 2017.

O segmento de seguros no país, mesmo durante o período de instabilidade econômica, segue crescendo 9,2%, segundo o CNseg em 2016. Apesar do crescimento no Brasil, o mercado possui uma necessidade muito forte para inovação. Especialistas ressaltam também a importância da adaptação do setor ao consumidor, cada vez mais conectado à internet.

O mercado está em transformação, processos burocráticos estão sendo repensados e a linguagem técnica substituída por uma abordagem mais humanizada e compreensível aos leigos. “One click” e “on-demand” são alguns dos termos que estão norteando a reescrita de modelos de negócios na área de seguros que está sendo tomada pelo digital.

A previsão é que as inovações que serão incorporadas pelo setor nos próximos 20 anos vão mudar o mercado segurador muito mais do que os 200 anos de existência no país.

PERSPECTIVAS PARA AS INSURTECHS
O conceito Insurtech traz para o mercado uma grande ruptura, um caminho sem volta, novas oportunidades que vão aprimorar toda uma estrutura financeira e relações em cadeia. Quando se fala em Transformação Digital para o setor de seguros não significa que as empresas devem simplesmente absorver uma série de inovações tecnológicas.

O mais importante é que as empresas saibam traçar objetivos claros e adotar tecnologias adequando-as de acordo com o negócio e estrutura interna das seguradoras. Por exemplo, investir na automatização de serviços que atualmente sejam morosos e altamente burocráticos com o objetivo de otimizar processos e reduzir custos.

Isso significa compreender a transformação digital e saber explorá-la a seu favor. Para enfrentar esse desafio o mercado segurador está investindo parte de seu capital nas parcerias com as startups com o objetivo de analisar e ampliar a linha de negócio do seguro tradicional.

A expectativa é o crescimento das Insurtechs. Os investimentos das seguradoras podem ajudar a estimular a inovação, a identificar prioridades e a complementar um tipo de seguro digital existente. De acordo com a CB Insights, as Insurtechs têm tido um aumento de investimentos nos últimos anos e espera-se que, em 2019, o investimento na tecnologia chegue a US$ 205 bilhões.

As seguradoras têm inigualável acesso aos dados do consumidor e usando tecnologia de ponta podem analisá-los minuciosamente para gerar resultados e benefícios significativos para os usuários. As seguradoras que estão tendo sucesso são aquelas que se aproximam deste ecossistema digital e desenvolvem soluções em conjunto com as mais variadas startups ao invés de tentar buscar as soluções sozinhas.

Um estudo da corretora de seguros Aon, o relatório global “Oportunidades do Mercado de Seguros (GIMO)”, lista as prováveis tendências em termos de novos produtos e serviços. Os números da expansão são assombrosos: aproximadamente US$ 14 bilhões em investimentos até o momento, em mais de 550 startups de todo o mundo.

Enquanto isso, o maior beneficiado da Insurtech deve ser o cliente final, que poderá aproveitar uma melhor forma de contratação, soluções de seguros mais personalizadas e, possivelmente, preços mais acessíveis.

Ou seja, a indústria de seguros vive um momento de grandes oportunidades, mas principalmente de reinvenção e de reposicionamento mediante seus clientes. A ideia é gerar uma nova proposta de valor para um setor que no futuro próximo poderá trabalhar de forma mais inteligente, com custos muito menores, obtendo mais ganhos e se estruturando de maneira mais sólida para as próximas gerações.

Autor: Carlos Luna - Empreendedor digital e CEO da Quero Seguros
 

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